A Arte evoluiu e a Música e o Cinema regrediram. Por quê?

Tive uma epifania. Talvez possa estar falando a maior bobagem do mundo, mas minha impressão é que a música e o cinema regrediram enquanto a artes visuais continuaram sua evolução frenética, iniciada pelos impressionistas.

Vejamos, no século XX, tivemos uma explosão de ritmos: jazz, blues, samba, rock, disco, etc. Mas TODOS foram criados até os anos 70. Depois disso, tirando a música eletrônica, não tivemos nada de novo sobre o sol. E sinceramente, apesar de realmente tentar gostar das bandas de hoje, é muito difícil, já que fazem mais do mesmo…

Complicado gostar de U2, Adele, Amy ou qualquer um desses queridinhos com a qualidade das músicas à nossa disposição até a década de 70. Tá bom, enquanto escrevo dessas linhas lembro de ícones pop dos anos 80 como Michael Jackson e Madonna e até o comecinho dos anos 90 com Nirvana, principalmente. Será que a morte de Kurt Cobain foi a morte da criatividade na música?

Já o cinema, que nasceu no século XX com os irmãos Lumière, evoluiu rapidamente até também os anos 80. Do cinema mudo, ao falado, do preto e branco ao colorido, tivemos literalmente artistas completos e diretores que levaram o cinema a outro patamar. Mas dos anos 90 pra cá, vemos também mais do mesmo. Comédias românticas, filmes de ação, de terror. Chegamos a uma encruzilhada criativa.

Enquanto isso, e nos parágrafos acima posso ter cometido alguns deslizes, nas artes não há dúvida que a evolução é constante e os artistas continuam indo no limite da sua criatividade. Não há como negar que, ao se chegar a uma exposição de arte contemporânea, a chance de encontrar algo nunca antes visto é grande. Damien Hirst com seu tubarão em formol é fantástico e o que dizer de Jeff Koons com seus bichinhos de balões de aço?

E acho que isso é devido a como o público consome esses produtos. Enquanto na música e no cinema os produtores querem fazer produtos no formato que deram certo no passado, já que o público quer ter uma experiência parecida com a que tiveram, na arte os curadores e diretores de museus tem certa liberdade para buscar o novo. E o novo, endossado por grandes instituições como o Moma, Tate, Metropolitan, Centre Pompidou, Reina Sofia, etc, tem grande apelo popular. A exposição de Damien Hirst no Tate é um blockbuster garantindo.

Já tocar uma música meio estranha na rádio pode não dar retorno, da mesma forma colocar um filme mais cult nas salas de cinema de shoppings, fracasso à vista. Os incentivos desses diferentes tipos de artes são diversos e o resultado está aí.

Infelizmente, porque como diz Carlos Vergara, bom artista brasileiro, criar um estado de contemplação com música boa é bem mais fácil que com pintura. O sentido dos ouvidos é bem mais envolvente que o dos olhos.

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Sobre olhosobretela

Blog sobre arte com foco em arte contemporânea, mercado de arte, feiras e acontecimentos. Posts normalmente às segundas, quartas e sextas.
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